sábado, 29 de maio de 2010

Pré-Socrática da vida

Para compensar todo o tempo parado, escrevi esta analogia. O texto é extenso, mas compensa a leitura. Bem, assim eu creio.

Montei a muito tempo atrás um palco, um grande palco para um grande espetáculo. Como eu era o diretor da peça, pensei que era necessário muitos integrantes para este mesmo espetáculo.
No início, apareceram alguns nos quais eu me identificava bastante, não era necessário muitas respostas, pois não havia muitas perguntas. Não existia a necessidade de questionar se com uma tempestade o palco resistiria.
Como não me questionei, blufff! Ele partiu em dois com a primeira ventania. Tive que reconstruí-lo e comecei do zero.
Apesar do susto, notei que os personagens nem se preocuparam com o ocorrido, então indaguei:
- Por que não faço o papel principal?
Consegui êxito por algum tempo porém vi colegas de enceno tão ou mais talentosos que eu desmotivados. Refleti a respeito e decidi, vou ser coadjuvante e retirar alguns pra fora da peça.
Bom, a princípio solucionou, mas uma coisa estava me incomodando. O vilão da história me dava nos nervos, pois não sabia ser mau o suficiente, ou neste caso "fingir" suficiente. Mandei-o embora e tomei o seu papel.
Após isso, me senti mais aliviado, mas depois da primeira semana, tive mais problemas.
Todos em volta me acusaram de ser muito perverso na história, passando dos limites do contraceno.
O primeiro a ir embora foi o padre, me acusando de heresia. Depois foram os músicos, pois afirmaram que eu estava fora do ritmo. O juiz, me indiciou por ser protestante comunista. O político, afirmou que eu o prejudicava em campanha por estar perdendo popularidade. E por último, a "mocinha". Bem, essa nem mesmo se justificou.
Sobraram algumas personas apenas.
Pensei cá com meus botões, este é o momento de sair do palco para não criar mais confusões. Mas não da peça.
Passei a ser contraregra. Como em todas as situações, estava tudo nos conformes, a princípio!
Fiquei incomodado com o cenário, tentei ornamentá-lo ao máximo, pois com o número de participantes que tinha ao momento, achei que poderia compensar essa carência de número. Acreditava que não surgiriam mais impecilhos.
Vi as bailarinas deixando a peça afirmando que com toda essa pompa no cenário, ninguém notaria seus passos minunciosamente estudados.
Houve boicote geral por parte dos coreógrafos e todo restante do pessoal abandonou o projeto.
Comecei a recolher os trajes, pois não há necessidade de trajes, se não houver personagens. Conseguinte, guardei os instrumentos, pois se não há músicos, que necessidade tenho do mesmo. Desmontei os enfeites de cenário e acabei com outra indagação:
- E o público? O que eu faço com toda essa gente? Fazer o show sozinho, é impossível!
Desolado, abri as cortinas vermelhas pronto para divulgar as más notícias e me deparei com a surpresa. Todo aqueles figurantes, coreógrafos, atores e atrizes, estavam lá, sentados na primeira fileira. Prontos para me retirar do palco aos urros, pensei.
Não poderia desistir naquele momento e mostrar fraqueza. Tentei de uma forma solo, empreender a peça.
Incrívelmente a peça tinha vida própria com salamandras mágicas e nem precisei fazer do pouco, muito.
Acabado a interpretação, pra minha surpresa maior, aplausos fervorosos por parte da maioria.
Fechado as mesmas cortinas vermelhas, enfim, descansei pra começar tudo de novo.
Dessa vez não como contraregras, nem vilão e nem mesmo como diretor. Apenas como mero espectador.